A criação de uma marca é uma verdadeira maratona de obstáculos, tão fascinante quanto intensa. O medo de perder algo (FOMO) é real — não queremos deixar escapar a melhor ideia. Mas, no final do dia, o mais importante é confiar no processo e desfrutar das gargalhadas ao longo do caminho.
Quanto a mim, nas fases iniciais do processo criativo, começaram a surgir algumas ideias de nomes — mas todas pareciam clichés e apontavam para algo tangível, algo material. Não era exatamente o que procurava.
O que eu queria era um nome que captasse um sentimento — uma vibe.
Mal eu sabia que a linha de pensamento que me levara a "Firstouch", na realidade se referia a um ritual recorrente entre os casais antes do seu casamento, parte de algumas tradições fotográficas pré-cerimoniais.
Também fazia sentido que fosse em inglês, uma vez que a maior parte da música em que me foco é global (basicamente, a música que adoro), e não portuguesa pimba — e realço pimba porque há muita música portuguesa ótima; só não é o Quim Barreiros ou a Rosinha.
E, sinceramente, se o objectivo é trazer alegria e energia a um momento, há tantas canções — tanto portuguesas como internacionais — que o fazem muito melhor e de uma forma musicalmente muito mais interessante: desde a pop intemporal de “É Demais” ou “Ok, Ko” dos Doce, ao rock contagiante de “Cavalos de Corrida” dos UHF ou “Cairo” dos Táxi, até chegar aos clássicos modernos como “Popotão Grandão” da Blow Records. :))
Enfim — antes que me irrite demasiado com a forma como certos géneros da música “popular” portuguesa massacraram a nossa riqueza cultural — depois de alguns dias a revisitar a minha página rabiscada (porque acredito que as ideias criativas precisam de tempo e espaço para respirar e amadurecer, tal como as frutas), voltei ao meu pensamento original: o nome da marca deveria de alguma forma evocar a ideia de matrimónio.
O conceito central da marca desde o início foi algo que conectasse o universo dos casamentos com a minha própria história de vida. Mas qual a parte deste universo? O casamento em si possui tantas camadas, tantos universos. Foi então que mergulhei nos aspetos clássicos e tradicionais do matrimónio — o que, de alguma forma, o tornava naquilo que é. Um dos elementos-chave que outrora tornava um casamento "legítimo" era a virgindade. O que significava que era durante o casamento — ou mais precisamente, depois dele — que o "Primeiro Toque" iria acontecer.
Aquele primeiro toque era algo que os casais aguardavam ansiosamente, um momento que era alvo de conversas sussurradas entre amigos e familiares nos dias que antecediam o casamento. Era o selo que unia duas pessoas.
Na minha própria vida, a indústria dos casamentos marca também o início da minha relação com o DJing e a música num sentido mais profissional. Por isso, este projeto é também o meu primeiro contacto com o amor da minha vida: a música. E foi realmente um feliz acidente — a criação deste nome de marca. Mal sabia eu que a linha de pensamento que me levou a "Firstouch" se referia, na verdade, a um ritual comum entre alguns casais antes do casamento, como parte de certas tradições de fotografia pré-cerimónia.



Por fim, uma pequena história engraçada que mostra o quão imprevisível pode ser o processo criativo.
Seja uma marca, um produto ou qualquer outra coisa, toda esta atmosfera íntima — o simbolismo, a tradição, a ligação angelical do "Primeiro Toque" — inspirou até aquele que se tornou o primeiro logótipo da marca.

Quando o mostrei a um amigo, ele perguntou: "Isto é para um funeral?" 😹😂
Bem, eu sabia que o nome era sólido — ele até o confirmou de imediato. Quanto ao logótipo, porém… digamos que precisava de ser repensado. Talvez um pouco menos cristão, um pouco mais boémio. 😂 Mas essa é uma história para outro post.
Para já, eis a história por detrás do nome — e os dois logótipos que foram surgindo ao longo do caminho: o do serviço funerário e o atual (e definitivo).
